<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-202283903499090749</id><updated>2011-07-08T03:24:25.325+01:00</updated><title type='text'>(Des)Contos</title><subtitle type='html'>A vida que nos acontece</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://dizcontos.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/202283903499090749/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dizcontos.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Alberto Campos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15934087424410786231</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_VsE_Oi9bVoc/SULzuFzso0I/AAAAAAAAAQk/-ggwdfQ84Y8/S220/FirefightersPrayer.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>13</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-202283903499090749.post-8923148938903477228</id><published>2010-02-08T14:45:00.002Z</published><updated>2010-02-11T14:54:12.579Z</updated><title type='text'>Uma carta...talvez</title><content type='html'>&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Olha,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Apetecia-me escrever-te mas foge-me a inspiração entre as palavras. Se assim é não deveria ter esta vontade mas, como sabes, nem sempre sou fácil de entender. Talvez por isso me auscultes a alma com esse teu olhar calmo de criança.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Se tivesse inspirado tentaria em vão escrever-te um poema sem rima, que para rima já basta o bater conjunto do nosso respirar quando o silencio toma conta do espaço, como que em respeito pelo amor que fazemos pela noite. Mas não sou poeta e as palavras não me saem ritmadas. Saem em espasmos de paixão borrando o papel. Alem disso não estou inspirado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Se me inspirasse, talvez te contasse uma estória de uma menina e um menino, que antes de se tornarem, mulher e homem, obrigatoriamente como todos, andavam pelos campos roubando fruta em tardes de Verão. Falar-te-ia dos seus passeios pelas praias vendo as rochas e descobrindo cousas do corpo e do mar. Nas poças salgadas deixadas pelas ondas onde, de tanto se beijarem, salgaram a propria alma.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Contar-te-ia os tempos ocultos de espera tidos nos dias passados na ausência um do outro, e como um dia se retornaram e se olharam e reconheceram ainda crianças. Mas, de facto, não estou nada inspirado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Sinto dentro de mim este vazio que não deixa fluir as palavras, os verbos e advérbios e tudo aquilo que usamos para comunicar o incomunicável, o simplesmente sentido. Mas se não se comunica, como podemos saber se é sentido? Porque só sentimos na medida em que nos damos e a nós retornamos feito eco. Sinto em mim este vazio de te querer escrever e não estar inspirado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Não que tu não sejas, por si só, fonte de inspiração, não! Nada disso! Eu, é que, olhando-te, em pensamento, repouso em ti de tal modo que, de mim se escondem todos os modos de escrevinhar. Contemplo-te o olhar e os cabelos que me lembram as tardes á beira mar e, depois, sinto novamente o cheiro a maresia das ondas que rebentam na praia levantando a espuma. E assim me quedo contornando-te as formas do teu corpo vestido de seda.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Mas não, nada disso, hoje não estou inspirado, há dias assim! Nada a fazer!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/202283903499090749-8923148938903477228?l=dizcontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dizcontos.blogspot.com/feeds/8923148938903477228/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=202283903499090749&amp;postID=8923148938903477228' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/202283903499090749/posts/default/8923148938903477228'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/202283903499090749/posts/default/8923148938903477228'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dizcontos.blogspot.com/2010/02/uma-cartatalvez.html' title='Uma carta...talvez'/><author><name>Alberto Campos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15934087424410786231</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_VsE_Oi9bVoc/SULzuFzso0I/AAAAAAAAAQk/-ggwdfQ84Y8/S220/FirefightersPrayer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-202283903499090749.post-8302965816981774644</id><published>2010-01-11T10:21:00.000Z</published><updated>2010-01-11T10:22:20.779Z</updated><title type='text'>Incompletamente e breve estória</title><content type='html'>&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; TEXT-INDENT: 9pt; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: Arial"&gt;Queria contar uma estória. Uma estória breve. Eternamente breve e incompleta.&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; TEXT-INDENT: 9pt; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: Arial"&gt;Era uma vez, que assim costumam começar as estórias, palavras feitas agulha de bússola ou porto de abrigo. Andava eu navegando cansado, buscando a estrela que já do firmamento tinha partido, quando desemboquei naquelas letras escritas algures no tempo. Não eram sinais vulgares mas escritos com a forma ténue dos afectos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; TEXT-INDENT: 9pt; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: Arial"&gt;Segui-lhes o rumo, algures num qualquer Novembro, enquanto o inverno tecia seus dias frios e a chuva teimava em lavar a natureza. Dia após dia lhes segui as pegadas. Primeiro, a medo, que as palavras são seres fugidios, frágeis, sempre prontas a trocar-nos as voltas ao mínimo sinal de desvelo ou descuidado. Depois, fui-lhes ganhando o gosto e a confiança e aprendi a trocar com elas experiencias, risos e lágrimas. Com elas fui descobrindo novas areias e reencontrando as ondas que me levariam ao porto prometido. Não por elas, mas traçado pelo destino, feito agua e sal, que inundava o firmamento do olhos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; TEXT-INDENT: 9pt; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: Arial"&gt;Um final de tarde, naquele crepúsculo que veste de gala os instantes eternos, desemboquei na cratera do vulcão de onde brotavam torrentes de lava em forma de letras. Não era já suficiente saber que existiam, ouvir-lhes o som rebentando nas areias como ondas de prata, não bastava olhar a lua e as estrelas sabendo que eram os astros, os únicos pontos que nos uniam. Tinha de lhes conhecer o olhar e sentir a pele, o estremecer dos músculos, que as palavras também têm corpo. O corpo com a forma de quem as guarda e, guardando pare, não raras vezes, com pranto e sangue.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; TEXT-INDENT: 9pt; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: Arial"&gt;Simples, de sorriso fácil, tremula. Seguramente tremula e de olhar feito planície em dia quente de Verão, perdido em súplica inconsciente, de quem pede um abraço. Tinha a singela forma de uma ninfa a cor do alabastro e nos cabelos as mesmas cinzas onde tantas vezes haveria de renascer e amortalhar. Ali estava, perante mim, encontrada e perdida. Assim era!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; TEXT-INDENT: 9pt; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: Arial"&gt;Desde esse dia percorremos juntos caminhos. Uns áridos, outros de escolhos e de madressilvas e flores silvestres, guiados quase sempre pelas mesmas palavras que trocámos. No mesmo instante em que nos encontramos…e nos amordaçamos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; TEXT-INDENT: 9pt; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: Arial"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/202283903499090749-8302965816981774644?l=dizcontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dizcontos.blogspot.com/feeds/8302965816981774644/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=202283903499090749&amp;postID=8302965816981774644' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/202283903499090749/posts/default/8302965816981774644'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/202283903499090749/posts/default/8302965816981774644'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dizcontos.blogspot.com/2010/01/incompletamente-e-breve-estoria.html' title='Incompletamente e breve estória'/><author><name>Alberto Campos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15934087424410786231</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_VsE_Oi9bVoc/SULzuFzso0I/AAAAAAAAAQk/-ggwdfQ84Y8/S220/FirefightersPrayer.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-202283903499090749.post-210993118436924831</id><published>2009-06-17T23:27:00.002+01:00</published><updated>2009-06-17T23:29:28.715+01:00</updated><title type='text'>A-Mar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;José dedilhava os dedos pelo computador como se de um piano se tratasse. As notas feitas palavras passavam á sua frente ao ritmo suave da escrita. Bastava-lhe não pensar e somente escrever. Sem nexo nem destino como, muitas vezes, tinha sentido a sua vida, as frases iam discorrendo dos dedos.&lt;br /&gt;Tinha chegado ao fim daquele dia cansado, só e vazio. Percorrera em vão as ruas da cidade grande em busca de trabalho. O sustento, que a crise apregoada, lhe roubara meses antes e, com ele a esperança e a dignidade. Estava cansado dos olhares condescendentes e inúteis, das negativas piedosas e dos telefonemas do banco clamando pelo sangue seco das suas finanças. Simplesmente escrevia linhas em desalinho e acordes em desacordo.&lt;br /&gt;Ao longe, na noite, um cão ladrava seus lamentos. E José tinha por companhia o grito mudo dos seus pensamentos, das suas longínquas ilusões desvanecidas e a nostalgia de mil tempos perdidos. Encontrava-se ele mesmo perdido dedilhando letra após letra, enchendo a página sem qualquer tipo de sentido.&lt;br /&gt;Tocaram á porta. É curioso a fragilidade do silêncio que se quebra com o simples premir do botão. É como se todo o mundo desandasse ao simples soar da campainha. Vem-nos toda a realidade como que sob a intensidade de um trovão. Uma campainha invade-nos, mutila-nos viola-nos ou enche-nos de esperança.&lt;br /&gt;Era o mendigo que tinha por habito candidatar-se aos espojos do jantar ou melhor, ao prato que já sabia ser-lhe destinado, o Sr. Joaquim. Fazia questão de o tratar pelo o nome e pela deferência que as sujas brancas barbas lhe davam por direito. Fazia questão de recordar-lhe que os contratempos do destino não lhe retiram a identidade. A mesma identidade que, um dia o embalaram, bebé; no colo terno de sua mãe.&lt;br /&gt;-Ah, Sr. Joaquim! Boa noite, entre – exclamou entre o misto de desalento pela solidão perturbada e o prazer daquela companhia de desventura – já lhe ponho a mesa.&lt;br /&gt;Todas as vezes fazia questão de o sentar na sua mesa. Era o modo de lhe retribuir a companhia e apaziguar a culpa que, invariavelmente sentia, ao vê-lo partir para o rumo incerto dos mendigos. Sempre assim tinha sido, que a comida come-se á mesa e não sentado na soleira fria da porta. Nem aos animais abandonados, que o honravam com a sua escolha para que lhes aliviasse a fome, ele lhes destinava tão vazio lugar. A soleira, dizia, era para quem estava de passagem, e quem lhe lançava um pedido era porque reconhecia nele um amigo, e aos amigos, franqueamos-lhes a porta e a alma com os seus lamentos.&lt;br /&gt;- Boa noite Sr. Zé. Deixe de se perder em incómodos. Eu como mesmo por aqui – disse com a humilde gratidão que o vestia. Não se habituara ainda aquele tratamento familiar.&lt;br /&gt;- Ora, já sabe como é…aqui come-se á mesa e hoje, se não se importar, faço-lhe companhia.&lt;br /&gt;- Tem piada o Sr. A casa é sua, faz o favor de me dar o que tem e ainda supõe um incomodo estar aqui ao pé deste seu criado?! – Retorquiu o velho com os olhos quase rasos de maresia. Notava-se-lhe que ainda lhe restava uma réstia de orgulho que ia sucumbindo á necessidade de pedir.&lt;br /&gt;- Deixe-se de lamentos. O Sr. não é criado de ninguém! Aqui é um amigo, talvez o único que me vai aparecendo... – Disse numa surdina mais pensada que realizada…&lt;br /&gt;- Está mau tempo por estes lados…- lançou em jeito de piada.&lt;br /&gt;- Como assim?! – Perguntou José enquanto servia ambos do frango deixado pela empregada e de um copo de vinho. – Até tem feito bom tempo. O Verão é que teima em não decidir se fica.&lt;br /&gt;- Não falava do tempo lá fora mas da intempérie que vai por esse peito a dentro - retorquiu naquele tom de pretensiosa despreocupação que esconde todas as certezas que somente a idade traz.&lt;br /&gt;- Como assim – Atirou Jose tentando fugir á dura realidade da sua transparência.&lt;br /&gt;- Ora vê-se até aos olhos de um cego que o meu bom amigo não está nos seus tempos –. Exclamou com disfarçavel preocupação enquanto se servia de um copo de vinho.&lt;br /&gt;- Ora... nota-se muito?&lt;br /&gt;António respondeu-lhe com aquele silêncio sábio dos velhos do destino, continuando a comer, que a fome não se compadece de filosofias. É uma criança mimada que reclama ser satisfeita no imediato. Assim são as fomes do corpo e da alma…as segundas mais impacientes que as primeiras.&lt;br /&gt;Terminou de comer e tornou a encher o copo. Olho para o fundo dos olhos de José e ai se deteve. Um homem pode saber muito do outro olhando-lhe pelos olhos adentro. Conduzem-nos invariavelmente para os labirintos poeirentos da humanidade, transportam-nos para lá da realidade, para essa metafísica que nos sustem por dentro, como se de um outro esqueleto se tratasse e se nos transborda pelo olhar. Por isto não devemos deter-nos muito tempo nesse lugar onde somos estranhos e intrusos. Não aconteça encontrar nesses outros olhares, os nossos próprios medos, as nossas mesmas assombrações. Decidiu, por isso quebrar o silêncio.&lt;br /&gt;- Amigo, há quantos anos nos conhecemos? – Perguntou.&lt;br /&gt;- Sei lá…uns 3 anos talvez – Respondeu.&lt;br /&gt;- Pois há tempo suficiente para que lhe conte de mim. Para um homem é bom, de tempos a tempos contar de si. Falando, evitamos que nos esqueçamos até do nome e das cicatrizes que temos agarradas á carne. – Disse bebendo um gole de vinho.&lt;br /&gt;Nesse momento José reparou que, ao longo daqueles anos, noites seguidas, tinha-se limitado a franquear as portas aquele velho mendigo de uma dignidade esbatida pelo tempo mas não perdida. Nada, para alem do nome, sabia sobre ele. Nada daquelas coisas que fazem dos homens ilusoriamente mais homens: idade, nascimento, etc.&lt;br /&gt;- Aqui onde me vê – Começou – já perdi a conta á idade. Acho que tenho uns 70 anos, mais dia, menos dia, que as contas perdem-se com os tempos. Não interessa! Nasci algures no Alentejo, num lugar onde a fome fazia escola e onde as crianças já nascem homens. Duros tempos aqueles! A minha santa mãe, pariu-me durante a ceifa, debaixo de uns arbustos que ali nasciam. Assim comecei logo a dar despesa. Como não pode trabalhar mais durante 3 dias, o cabrão do maioral não lhe pagou a jorna, o filho de uma grande puta! Desculpe a linguagem mas essa ficou-me atravessada quando ma contaram. Também quis o destino que é o mais justo dos juízes, que o ventre da mulher se secasse e nunca tenha deixado geração. Ou o ventre ou os tomates, tanto faz.&lt;br /&gt;Parou para tomar um gole de vinho e continuou:&lt;br /&gt;- Pois como lhe dizia, fui parido no campo. Eu e todos os da minha idade. Eram tempos de miséria…O meu pai guardava o gado da herdade e a minha mãe lá ia ceifando no tempo, ou servindo na casa sempre que era preciso. Eu, mal pus os pés no chão e as canetas sustiveram o peso do corpo, mandaram-me ajudar o meu pai. Tinha 6 anos! – Os olhos brilhavam-lhe como dois luzeiros. A memória acende os olhos, enche-os de mar.&lt;br /&gt;- Mas os meus pais, que Deus os tenha na Sua paz, queriam que eu tentasse saber um pouco mais do que eles, o que não era difícil pois não conheciam uma letra. Falaram com o padre da terra, o Padre Alfredo, um homem do norte que tinha tanto de besta como de compaixão. Era um bom homem, ou boa besta se quiser. Estou a cansa-lo? – Perguntou a medo.&lt;br /&gt;Que não, respondeu José, que continuasse. E serviu os dois de mais um copo de vinho. No fundo a curiosidade sobre aquela alma ia-se desvanecendo á medida que ia crescendo, num terminavel ciclo.&lt;br /&gt;- Pois, continuando. Falaram com o Padre para que me ensinasse ao fim do dia um pouco de religião disfarçada de letras ou ao revés, tanto faz. Para o que eu haveria de estar guardado…. Sabe? As letras são coisas traiçoeiras. Um homem não dá por elas mas elas dão por nós. Quando as conhecemos, começamos a formar palavras e aprendemos que o mundo é mais mundo que suponhamos. As palavras mostram-nos que há mais terra para alem do horizonte da herdade dos Almeidas. Que podemos amar uma mulher pelas palavras que lhe escrevemos, ou pelas que deixamos de escrever… E podemos sentir tristeza pelo mesmo motivo.&lt;br /&gt;- Foi assim que aos pouco, sem me dar conta me fui desgraçando com as palavras. Um dia descobri a que me haveria de transformar a vida. Sabe qual foi?&lt;br /&gt;- Não – Respondeu José.&lt;br /&gt;- Mar! È verdade! Mar! Um dia o Padre pôs-me a palavra á frente e pediu que a soletrasse: M-A-R. Lá disse eu a medo. As outras coisas que lia ainda sabia o que eram, a foice, a ceara, o burro, a ovelha, a flor, etc. mas mar?! Isso eu não sabia! O homem que era viajado e vinha lá de um lugar chamado Povoa do Varzim, explicou-me o que era o mar. Mais valia tivesse ficado mudo nesse dia!&lt;br /&gt;- Explicou-me que o mar era assim como um charco que a chuvas de verão fazem mas muito maior, que era tão grande que nele cabia todo o peixe do mundo, que era tão grande que não se supunha ter fim. Falou-me que os homens amam o mar, e eu pensando que o que eles amavam eram as mulheres….que não, disse o padre. Que amar, ama-se o mar. por isso se diz a-mar. As mulheres, deixam-nos e dão-nos vazios e silêncios. O mar enche-nos e as ondas voltam sempre e falam coisas ao ouvido das gentes.&lt;br /&gt;- Assim me falou, o raio do Padre, do mar… Disse que o sal era sagrado, porque estava presente no mar e nas lágrimas. Por isso, acreditava ele, que Deus era pescador e que, quando fez os homens, estava numa barca e colocou-lhes água do mar nos olhos para, quando chorassem, se lembrassem sempre da imensidão que existe em cada um. Que a imensidão do mar era maior que olhos da Maria de Luz. Quando lhe perguntei de onde vinha tanta agua assim, ele respondeu “ora rapaz, está bem de ver, são as lágrimas que correm sempre para o mar, como os rios, por isso é que o mar é salgado, porque lhe devolvemos a agua, quando choramos” Assim me falou ele do mar…&lt;br /&gt;- Acho que o padreco era meio doido mas sabia das coisas. Dali saí com a certeza na alma que tinha de ir ver o mar mais, saí sabendo que só no mar eu seria homem inteiro. Saí daquele dia, do baixo dos meus 10 anos, com a jura, jurada que iria…a-mar. Foi nesse dia que me tornei maltês!&lt;br /&gt;José mal acreditava no que escutava! Aquele mendigo, sujo e esgotado, encerrava em si uma sabedoria nobre. Nunca o tinha imaginado para alem do pobre que lhe batia á porta de tempos a tempos. Nunca se tinha interrogado quem era aquela alma. Sentia-se culpado por isso.&lt;br /&gt;- Pois nesse fim de tarde entrei em casa e disse aos meus pais que ia ver o mar! Que o mar era maior que os olhos da Maria de Luz. A Maria era a moça mais bonita da aldeia. Todos a queriam namoriscar, mas diziam que a magana se lançava de olhares cá para o meu lado. Eu não era mau pedaço mas a Maria…. Ah moça de linda. Tinha uns cabelos de oiro e uns olhos que eram maiores que a seara grande da herdade. Juro! Que morra já aqui!!! Eu gostava da moça mas ela era de gente fina. A mãe era professora e o pai era comandante da guarda. Eu queria aprender as letras para lhe escrever coisas. Queria ser alguém, entende? Mas aquele dia mudou tudo! Um dia que começou com as palavras que se desconhecem e nos rasgam o entendimento. As palavras podem mais que isso a que chamam de amor, sabia? Por isso lhe digo, amigo José, não se perca de amores pelas palavras.&lt;br /&gt;- Os meus pais riram-se, claro. A minha mãe agarrou-me no peito e perguntou-me o que era isso do mar. Acho que foi mais para me proteger do estaladão que pronto vinha da manápula do meu pai. Ele não achava lá muita piada ás minhas descobertas. Dizia que ainda me secava o cérebro, tanto saber. Que para guardar as ovelhas dos Almeidas não era preciso tanta sabedoria, e que se queria ver muita água, levasse mais vezes as ovelhas para beberem na barragem…&lt;br /&gt;- Claro que eu pensava na Maria. A moça era o meu encanto e, apesar de ser novo, já tinha crescido o suficiente para as pernas me tremerem quando passava. Como era filha da professora cedo aprendeu a ler. Ela, de certeza já sabia do mar. Eu era moço mas já sabia o suficiente para querer que ela viesse comigo. Haveríamos de ver o mar juntos! Tinha só de esperar o tempo bastante para que ela se crescesse mais um pouco e então saímos os dois. Era assim que eu acreditava. Tinha de lhe falar, pensei eu.&lt;br /&gt;- Três dias depois de ter aprendido sobre as águas, estava eu á beira da estrada com o meu pai e as ovelhas quando parou um automóvel ao pé de nós. Era a Maria e os pais. Ela nem me olhou de dentro mas vi que, daqueles olhos saia tanta agua que só podia o padre ter razão. Deus pôs o mar dentro de nós para o chorar-mos. O pai dela, acenou ao meu e disse-lhe que se iam embora da aldeia. O tipo era da guarda, tinha sido colocado noutra terra e levava a família a reboque. Estupor do homem! Desde esse dia que não posso com guardas. Dão-me um azar…. E lá foram estrada a fora com a Maria e o irmão mais novo. Esse também… Nunca lhe ouvi uma palavra. Dizia-se que passava as tardes a ver os pássaros da gaiola e a ouvir rádio…. Enquanto a Maria ouvia as estorias na oficina do sapateiro. Não sei! Só sei que nesse dia entrou-me a maré cheia nos olhos. Quando cheguei a casa jurei que ia partir para ver o mar e encontrar a Maria de Luz!!! Jurei com todas as ondas que chorei nessa noite.&lt;br /&gt;- Passaram dois anos e eu continuei a guardar ovelhas e sonhos de a-mar. Sim, sonhos de sair. A aldeia já era pequena. Não vou dizer que não tenha arranjado os meus namoriscos, que um homem não é de ferro e a carne pede-nos aconchego. Mas nunca deixei de pensar na última imagem da Maria. E quanto mais pensava mais sabia que tinha de ir procura-la e, quanto mais pensava, mais sabia que a encontrava junto ao mar.&lt;br /&gt;- Um dia peguei na trouxa durante a noite e parti! Foi a segunda vez na vida que senti o sal na cara. Deixei a casa e sabia que a minha mãe quando acordasse ia sentir a minha falta. Queria ter dito adeus mas, se o fizesse era pior. Lancei-me ao pó da estrada e, ao virar da ultima curva virei-me e vi, á porta da casa, a minha santa mãe acenando-me num gesto que ainda hoje não sei se era de bênção ou despedida. Ah, ela sabia, desde aquela noite que o meu destino estava traçado. Ela ouviu as lágrimas a cair no dia que a Maria se foi, levada. Ela sabia porque me carregou nove meses prenha! As mães passam os sonhos aos filhos, sabia?&lt;br /&gt;José sabia…&lt;br /&gt;- Foi nesse dia que me tornei viajante. Comia e dormia ao abrigo do céu. Quando não tinha que comer, pedia trabalho em troca de comida. Nunca quis dinheiro. Perguntava também se por ali era o caminho para o mar e, no embalo da conversa, perguntava se, lá na terra conheciam uma moça de olhos infindos chamada Maria de Luz. O pessoal gozava, coitados. Pensavam que cá o maltês era mais um doido…. E não se enganavam!&lt;br /&gt;- Andei muito. Passei por terras que não lhe aprendi o nome, vi mulheres que não me lembro do som da voz. Algumas eram bonitas sim, mas eu só via nelas a cara da outra. Andei nem sei quanto tempo. Sempre que sabia que a Maria podia estar numa direcção, era nela que seguia. Pensando que assim encontrava o mar. Enganei-me.&lt;br /&gt;- Cedo descobri, que um homem sente no peito essas coisas, que á Maria jamais a encontrava e que também ela já me tinha esquecido. As mulheres são mais ariscas que os homens. Fazem a parte delas! Cedo se esquecem e nos desenganam. Olhe que eu já vi muito. Já vi mulheres fazerem um homem perder-se e acreditar que o céu é amarelo. Já vi mulheres jurarem a um homem amor eterno, somente para durar uma breve sopro de brisa. Acredite que lhe digo a verdade.&lt;br /&gt;José acreditava…&lt;br /&gt;- Como dizia, comi muito pão que Deus ou o diabo amassaram. Nunca pergunto quem faz o pão. Simplesmente o agradeço e sigo a minha vida, só e em paz. Sozinho não é bem, que eu cá guardo as minhas memórias. Um homem sem memória é um saco vazio, não presta. As memórias fazem-nos companhia sem nos trair. Falam connosco á noite quando mais ninguém o faz e entendem-nos porque sendo nossas têm outras almas á mistura. Eu guardo as memórias mais que nada. Andei muito por esse mundo. Ri e chorei. Por momentos, quando descobri, sentindo, que nunca mais veria a Maria, quando eventualmente me aqueci noutros corpos, que em mim se aqueceram também e me deixaram ao frio, lembrava somente do mar mas sabia que seria ele a encontrar-me a mim. E eu não fugiria!&lt;br /&gt;- Um dia, andava eu a sentir a terra debaixo dos pés, quando dou de caras com o mar! Fiquei quieto e mudo. Acho que parei de respirar. Era tal e qual eu imaginava mas maior. Se tinha todas as lágrimas do mundo, então o mundo devia ser um desfazer de carpidamento. Digo-lhe que fiquei 2 dias só a olhar o mar…e a encher-lhe as marés.&lt;br /&gt;-Hoje vivo por aqui e por ali. Não me encontro pois nunca me perdi. Não sofro como vocês da correria. Vou tomar uma sopa onde os meus amigos fazem o favor de ma dar. E vivo junto ao mar. Cada vez o vejo mais cheio o que só pode querer dizer que cada vez há mais lágrimas a chegarem-lhe. Quando for a minha hora, que já pouco tarda, vou lançar-me ás ondas e devolver-me ao criador. Assim se cumprirá o destino. Entende?&lt;br /&gt;José entendia…&lt;br /&gt;- Conto-lhe tudo isto porque sei que é um homem bom, vê-se nos olhos e porque lhe dou a única riqueza que tenho, as minhas estorias. Entrego-lhas para que pense nelas e lhes dê palavras como sei que sabe fazer. Assim, pensando nelas deixa a cabeça livre de outras tempestades… Olhe bem, tempestades vejo eu nas rochas. As ondas viram loucas quando lhes bate o vento.&lt;br /&gt;Assim falou Joaquim! Depois levantou-se lentamente e dirigiu-se para a porta. José ainda retorquiu:&lt;br /&gt;- Então e da Maria, da sua Maria?&lt;br /&gt;- Essa memória não lhe dou, irá comigo para as ondas e vocês não precisa.... Digamos que nunca mais a vi nem soube dela…. Melhor assim! As mulheres só nos trazem problemas! Enchem-nos o peito como na maré-cheia e depois partem com os motivos só delas e deixam charcos de água podre entre as cicatrizes!&lt;br /&gt;Assim falou Joaquim levando consigo, sabe-se lá que memorias mais.&lt;br /&gt;José nessa noite adormeceu na sala embalado pelas lembranças deixadas pelo velho mendigo, que se misturavam com as suas num eterno bailado. De manhã acordou tonto de claridade e com as notícias do dia: “Idoso desconhecido resgatado sem vida ao largo”&lt;br /&gt;Assim, quedou-se José sentado no sofá da sala segurando a velha fotografia em que estava, com os seus pais algures numa praia do sul. Na foto, o rosto entristecido de sua mãe onde sobressaía um olhar do tamanho do mar. Nas costas da foto uma legenda: “1968- Maria de Luz, marido e filho”.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/202283903499090749-210993118436924831?l=dizcontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dizcontos.blogspot.com/feeds/210993118436924831/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=202283903499090749&amp;postID=210993118436924831' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/202283903499090749/posts/default/210993118436924831'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/202283903499090749/posts/default/210993118436924831'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dizcontos.blogspot.com/2009/06/mar.html' title='A-Mar'/><author><name>Alberto Campos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15934087424410786231</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_VsE_Oi9bVoc/SULzuFzso0I/AAAAAAAAAQk/-ggwdfQ84Y8/S220/FirefightersPrayer.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-202283903499090749.post-8823112512961639698</id><published>2009-04-07T21:52:00.000+01:00</published><updated>2009-04-07T21:53:43.880+01:00</updated><title type='text'>Irracionalidade racional</title><content type='html'>&lt;em&gt;“Alguém disse uma vez que no momento em que paramos a pensar se gostamos de alguém, já deixámos de gostar dessa pessoa para sempre”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Carlos Ruiz Zafon in “A Sombra do Vento”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Mostra o escritor a essência da irracionalidade humana. No fundo, se cumprir-mos com a nossa humanidade, somos animais irracionais. Irracionalmente gostamos de quem não sabemos distinguir a razão objectiva do nosso afecto. Quantas vezes se fundem pensamentos inconscientes por algo ou alguém, sem que lhe reconheçamos merecedores de a energia de pensar? Quantas ocasiões nos perdemos em desvarios de mente (e dementes…) sem saber a razão de tal modo. Gostamos e pronto! E deixamos de gostar no preciso momento em que, no laboratório dos afectos ensaiamos a razão dos mesmos!&lt;br /&gt;Gostar é não pensar, é somente sentir. Sentir a brisa no beijo anunciado ou no calor das mãos que se entrelaçam, o mesmo olhar fixo naquele por do sol que nos aquece os sentidos. É não pensar senão na alma que se renova nos encontros não adiados.&lt;br /&gt;Não se pensa quando se olha aqueles olhos que nos pedem um abraço ou quando miramos atentamente a gota de orvalho que se nos cai na mão.&lt;br /&gt;Não nos peçam pois a nós, seres irracionais, que desvendemos os manuais que o coração segue quando se perde. Não os conhecemos, e conhece-los é eternamente descurar as linhas com que se escrevem porque não se escrevem, sentem-se sem pensamentos de supostas realidades mentais.&lt;br /&gt;Não procurem razões para esta animalesca realidade a única razão é não pensar!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/202283903499090749-8823112512961639698?l=dizcontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dizcontos.blogspot.com/feeds/8823112512961639698/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=202283903499090749&amp;postID=8823112512961639698' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/202283903499090749/posts/default/8823112512961639698'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/202283903499090749/posts/default/8823112512961639698'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dizcontos.blogspot.com/2009/04/irracionalidade-racional.html' title='Irracionalidade racional'/><author><name>Alberto Campos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15934087424410786231</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_VsE_Oi9bVoc/SULzuFzso0I/AAAAAAAAAQk/-ggwdfQ84Y8/S220/FirefightersPrayer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-202283903499090749.post-5033590634055315593</id><published>2009-04-02T22:50:00.000+01:00</published><updated>2009-04-02T22:53:03.104+01:00</updated><title type='text'>Doença</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Muito mata um coração empedernido! É patologicamente diagnosticável pela completa falta de vontade de se abrir á humana vontade de se amolecer ao passar de um abraço. Seca os sentidos e deixamos de ver, ouvir, sentir… morremos apodrecendo pouco a pouco.&lt;br /&gt;Está comprovado que um coração que não bate de paixão não bate de vida, perdendo-se nos caminhos ténues da morte. Morte em vida andada, em vida que ao ar rouba o respiro.&lt;br /&gt;Hoje perdemo-nos perdidamente nos caminhos obscuros que o tempo amortece. Não queremos mais saber de abraçar. Vive-se a aurora esquecendo o por do sol. O agora sem a esperança que espera o amanhã com a alma em desatino. Não se cometem loucuras por paixão, simplesmente porque não está na moda, porque é ridículo sorrir com cara de parvo, ser ciumento ou chorar de ausência. Vive-se amores fast-food de consumo rápido, com elevados níveis de colesterol sentimental que se nos atrofiam as veias e nos atrasam o bater da alma.&lt;br /&gt;Um amor quer-se sentido e lento, de digestão pausada. Repleto de fibras e com muito exercício. Um amor quer-se para um coração que nos palpite em cada veia.&lt;br /&gt;Um amor exercita-se dos gritos mudos que amolece o coração e o faz bater na fímbria do desejo e no ritmo lento dos dias. Ah, nada mais mata que veias cheias de placas de beijos por dar e risos mudos e loucuras não cometidas.&lt;br /&gt;Não venham pois com doenças criadas e registadas em livros de criar pó. Morre-se mais de tristeza e solidão que de cancro ou sida. Morre-se mais mal amado que de cólera. Morre-se mantendo a triste aparência da vida que se perde dia a dia.&lt;br /&gt;Urge pois um novo batimento cardíaco que não engula um choro nem recuse um mimo. Que não mais se sucumba de espera calada, amordaçada porque, está definitivamente provado, nada mata mais que um coração empedernido.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/202283903499090749-5033590634055315593?l=dizcontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dizcontos.blogspot.com/feeds/5033590634055315593/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=202283903499090749&amp;postID=5033590634055315593' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/202283903499090749/posts/default/5033590634055315593'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/202283903499090749/posts/default/5033590634055315593'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dizcontos.blogspot.com/2009/04/doenca.html' title='Doença'/><author><name>Alberto Campos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15934087424410786231</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_VsE_Oi9bVoc/SULzuFzso0I/AAAAAAAAAQk/-ggwdfQ84Y8/S220/FirefightersPrayer.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-202283903499090749.post-3021899259620914861</id><published>2009-03-18T18:24:00.004Z</published><updated>2009-03-29T22:31:24.883+01:00</updated><title type='text'>Só</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_VsE_Oi9bVoc/ScFgQS_qFII/AAAAAAAAASw/29o_mcZgGWQ/s1600-h/sozinha.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5314634868366906498" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 259px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_VsE_Oi9bVoc/ScFgQS_qFII/AAAAAAAAASw/29o_mcZgGWQ/s400/sozinha.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já ao longe se ouvia o comboio. Incólume ao facto, continuava Joana sentada sentindo-se só, incompreensivelmente só.&lt;br /&gt;Tinha tomado para si mesma a decisão de partir, nada mais lhe restava depois de desfeito o sonho e ter constatado que os últimos tempos tinham passado ao ritmo intenso do seu desejo. Nada lhe restava para além da mala que jazia a seus pés onde estava guardado o seu parco mundo: uma muda de roupa e meia dúzia de objectos de higiene pessoal e um livro. Estranho como os livros são os mais fiéis companheiros de viagem, de partidas e de chegadas. Eles encerram a nossa alma e a ela transmitem uma fantasia que, mais tarde, nos vai atraiçoar, dando-nos de beber o doce veneno do sonho. Sonhamos que a vida se traduz nas palavras sentidas, sonhamos…&lt;br /&gt;Joana esperava o comboio anunciado, de olhos presos no vazio das gentes daquele fim de tarde, escutando os incompreensíveis sons da gare. Era o seu modo de estar sozinha, de conseguir pensar na sua própria ausência de pensamento. Desconhece-se se aquele olhar preso no imaginário infinito dos carris seria a busca do novo destino.&lt;br /&gt;Tinha acordado naquele dia solarengo de primavera, com a luz estampada no rosto. A seu lado, estendido despreocupadamente dormia o companheiro. Gostava de dispensar algum tempo a olhá-lo enquanto dormia. Dispensar esse tempo era, isso mesmo, não pensar, simplesmente olhar. Muito tempo perdemos nós na correria atrás do tempo que indubitavelmente nos foge sem parar para dispensar, somente, dispensar nossos sentidos em algo de belo. Hoje pouco se dispensa, só pensa.&lt;br /&gt;Gostava de olhar aquele corpo onde se entregava em horas de prazer. Não pela física entrega mas por sentir que nele plantava o mais próximo de si. Nele sentia que fazia sentido a espera dos anos em provação. Gostava de o imaginar velho mas feliz numa qualquer cama de um qualquer lar chamado em comum. Gostava de o imaginar seu do mesmo modo que se sentia sua, mesmo nas horas em que, conscientemente sabia que nada possuía para além da mala que jazia agora a seus pés. Vivemos anos a construir matéria que acabamos por deixar espalhada nos recantos da vida. Viajando sempre agarrados a cousas simples, lembrando o quão simples a vida se nos oferece. Tudo para um dia entendermos que nada possuímos que não caiba numa simples mala, numa complexa alma de lama.&lt;br /&gt;O seu homem, como gostava de o chamar pela verbalização do sentir, tinha-lhe lembrado sem palavras a inevitabilidade da paixão quando as vontades se reencontram. A seu lado tinha redescoberto o doce sabor do querer e acalentado a esperança num qualquer futuro. Tinham sabido partilhar as almas e os corpos ao ritmo das palavras e, ela, sentia o final do caminho da espera. Assim o pensava, assim o queria sem saber que os sonhos são pessoais e intransmissíveis. Os sonhos são a voz da alma que nos grita em loucura, o desejo. Quantos sonhos se quedam mortos, irremediavelmente mortos na nossa memória?&lt;br /&gt;Tinham-se encontrado num fim de tarde num café da cidade grande, no meio de todos quantos na cidade se perdem, eles, contrariando, descobriram-se e cresceram. Não eram jovens mas sedentos de sonho e afecto. Nesse mesmo momento, as suas bocas uniram-se selando num beijo o que as palavras não sabiam dizer. Assim foi e assim se cumpriu a profecia íntima de cada um. Sim, todos nós temos uma profecia que se nos escreveu o Universo no momento em que decidimos chegar. Abrimos os olhos e começamos a escrever o guião nas páginas, previamente alinhadas, da nossa vida. Até ao dia em que lemos todo o texto, no derradeiro acto a que nos dirigimos ou desejamos!&lt;br /&gt;Com ele tinha sorrido das flores e das realidades, tinha caminhado ao pôr do sol e, ilusoriamente, pensava ter chegado ao porto da vida onde os cais são feitos de pedra e sorrisos. Com aquele homem tinha experimentado o esquecimento caminhante de outras vidas e a surpresa constante das chegadas.&lt;br /&gt;Agora encontrava-se somente só naquela estação de fim de tarde onde as gentes apanhavam o destino mundano rumo a vidas escritas e, quem sabe partilhadas. Todos sabemos como as estações são momentos de partida sem chegada. Uns partem no comboio, outros partem chegando.&lt;br /&gt;O comboio acabara de entrar com estridente anúncio na gare. Joana nem por isso se moveu. Não tinha a certeza de partir nem a satisfação de chegar, somente estava depois de ele lhe ter dito que nada era certo e que somente nele se revia e encontrava. Tinha-lhe feito sentir que ela, que nada mais ambicionava que as amarras do navio, nada mais representava que um apêndice na sua vida. Importante talvez mas um post scriptum no vagar dos dias, deixando-a perdida sem rumo, restando a ilusão de um dia o ter tido. Tinha pegado nos parcos haveres e tinha, em silêncio partido para a gare onde a máquina a levaria para longe de tudo e para perto de si. Fosse lá onde fosse!&lt;br /&gt;Tinha recusado as chamadas e apelos! Agora estava preste a fazer de si eremita de viagem, com outros tantos. Olhava os carris paralelos que se haveriam de unir naquele mesmo infinito onde desejava chegar. Bilhete na mão e alma posta na incerteza do silêncio.&lt;br /&gt;Queria sentir de novo o desejo alheio. Sentir o seu calor e aquele abraço de noites de chuva. Queria ouvir gritar seu nome do outro lado da gare e um pedido de abraço feito. Queria novamente sentir ser possível falar sendo escutada. Nada mais queria que o seu corpo em profundo silêncio gritando-lhe palavras recusadas anteriormente. Somente queria o confirmar de uma boca que, de si, tomava a vida em goles de satisfação. Queria ser parte dos que com ele partilhavam o sentir diariamente. Invejava-lhe os amigos que, ao fim do dia, entre uma cerveja, lhe escutavam a alma e a quem ele sabia escutar os sentimentos. Queria que aquelas lágrimas caíssem no seu peito e não no granito frio do passeio. Queria somente escutar seu nome!&lt;br /&gt;O último aviso de embarque no comboio rumo ao destino traçado. Ultima oportunidade de, pouca-terra, pouca-terra, ser muito espaço. Nunca lidara bem com desconhecidos silêncios e ausentes desejos. Sempre tinha apregoado a força que agora mesmo lhe faltava para subir a máquina. Não era falta de força, contudo, era esperança…&lt;br /&gt;O comboio partiu em mútuo alheamento. Ela, dele ignorado e para ela, ele recusado. Olhou a fria estação, sob o manto de duas grossas lágrimas de mágoa. Esperaria! Não um novo comboio mas, a figura fantasma de um abraço que a levasse a casa.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/202283903499090749-3021899259620914861?l=dizcontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dizcontos.blogspot.com/feeds/3021899259620914861/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=202283903499090749&amp;postID=3021899259620914861' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/202283903499090749/posts/default/3021899259620914861'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/202283903499090749/posts/default/3021899259620914861'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dizcontos.blogspot.com/2009/03/so.html' title='Só'/><author><name>Alberto Campos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15934087424410786231</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_VsE_Oi9bVoc/SULzuFzso0I/AAAAAAAAAQk/-ggwdfQ84Y8/S220/FirefightersPrayer.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_VsE_Oi9bVoc/ScFgQS_qFII/AAAAAAAAASw/29o_mcZgGWQ/s72-c/sozinha.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-202283903499090749.post-4217124927500164847</id><published>2008-12-10T19:01:00.003Z</published><updated>2009-03-29T20:17:09.655+01:00</updated><title type='text'>Partir sem chegar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Tinha partido de porto seguro rumo á incerteza do oceano de vagas crescidas. Sabia que o caminho ia ser duro e tortuoso mas o poente, o sagrado para onde se dirigia, era a recompensa do desejo, independente do pecado cometido. Tinha ouvido um dia que não havia pecados por amor, somente o destino, somente o ideal.&lt;br /&gt;O Marinheiro tinha preparado a viagem com a cumplicidade dos Deuses, no secreto momento em que o oráculo lhe tinha avivado o entendimento na noite fria de lua cheia.&lt;br /&gt;Rumava a sul impelido pelo canto da sereia de cabelos de oiro. Partira deixando para trás a mansidão que conhecia. Somente rumava sendo as mãos dela o seu norte &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;desnorteadamente&lt;/span&gt; destinado.&lt;br /&gt;Tinha decidido encetar a viagem sem um plano que não fosse ir beber á fonte dos Deuses, ao Lago onde, acreditava, repousava a espada que o faria vencedor das batalhas prometidas. Somente navegava ao sabor da estrada feito mar, ou &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;vice&lt;/span&gt; versa.&lt;br /&gt;Haveria de encontrar a sereia de cabelos de oiro absorvida nos sons do templo. Ignorava ela a presença dele naquele espaço, desconhecia a presença dele dentro dela mesma. Ele conhecia a maldição do canto encantado das sereias, contudo foi!&lt;br /&gt;Ao entrar no templo, reconheceu a luz doirada da dama das &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;águas&lt;/span&gt; abençoadas ela, reconheceu a sua suja humanidade de viajante de ilusões, sem mais não ter que uma mão cheia de nada para oferecer. Olho-o e sorriu admirada…&lt;br /&gt;Pensou então naquele sorriso feito canto encantado e sentiu-se mergulhar nos olhos que lhe estendiam a felicidade disfarçada de ilusão.&lt;br /&gt;Ao longe o leitor lia: &lt;em&gt;“O amor nunca falha…”&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/202283903499090749-4217124927500164847?l=dizcontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dizcontos.blogspot.com/feeds/4217124927500164847/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=202283903499090749&amp;postID=4217124927500164847' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/202283903499090749/posts/default/4217124927500164847'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/202283903499090749/posts/default/4217124927500164847'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dizcontos.blogspot.com/2008/12/partir-sem-chegar.html' title='Partir sem chegar'/><author><name>Alberto Campos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15934087424410786231</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_VsE_Oi9bVoc/SULzuFzso0I/AAAAAAAAAQk/-ggwdfQ84Y8/S220/FirefightersPrayer.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-202283903499090749.post-8336292104644994908</id><published>2008-11-18T21:21:00.002Z</published><updated>2009-03-29T20:17:48.381+01:00</updated><title type='text'>(Des)Conhecida</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Tinha nos olhos escuros aquele grito de desespero dos marginalizados. No corpo, a fraca figura em que os cabelos revelavam o desalinho da sua própria alma. Como se chamava ou simples timbre da sua voz, desconheci e não importava. Estávamos os dois no mesmo tempo e no mesmo espaço, separados por diferentes realidades e mesas do café do parque da cidade grande.&lt;br /&gt;Eu tinha chegado á pouco e vinha encontrar-me com uma amiga comum de um poeta maior do outro lado do mar. Sozinho, enquanto esperava, deambulei os olhos pelo espaço, repousava-os nas árvores do parque, invejando-lhes a calma e as raízes que as unem á madre terra.&lt;br /&gt;A minha volta, conversas fúteis e alegres e sérias daquele princípio de tarde. Tudo era calma e desconhecido. Esperava, nesta observação de carrego como hábito desde que me conheço. Assim creio poder ter a ilusão de conhecer a alma alheia. Como o vampiro que espera enaltecer a sua própria metafísica com a metafísica alheia, bebendo &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;experiências&lt;/span&gt; adivinhadas no simples modo de olhar ou falar. Sempre o fiz e sempre achei ir reconhecendo alguma humanidade á minha volta. Sempre o fiz e muitas vezes me desiludi por isso, não desisto.&lt;br /&gt;Ela entrou e pediu um café. Ao passar na minha mesa encontrei os seus olhos gritando algo, que não soube decifrar, á invasão consciente dos meus. Trazia, numa mão o café e, na outra, a desistência de ser alegre. Corpo franzino e aprumado. Não era uma dessas que dorme nos bancos frios ou nas ombreiras das portas, reclamando um pedaço de pão. Não, não era alguém assim. Talvez somente alguém triste. Tentei adivinhar-lhe as &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;estórias&lt;/span&gt;. Quem sabe um desespero de saúde ou um mal de coração, desconheço e desconhecerei sempre.&lt;br /&gt;Sentada numa mesa próxima, falava e sorria sozinha, timidamente como se o medo a invadisse. O medo de que seus segredos fossem descobertos. O olhar fixava o fundo da chávena de café quente, como tentado adivinhar o inexistente futuro, nas borras ausentes. O cabelo coroava-lhe o aspecto em desalinho e sujo dando-lhe uma imagem de fantasma cosmopolita que, desafiando as leis místicas, tinha saído á luz do dia&lt;br /&gt;Sorvia o café e fumava o cigarro em lentos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;travos&lt;/span&gt;, onde o tempo nada mais nada traduzia que o fumo esvaindo-se no ar. Tudo ao seu redor era, para ela ausência. Somente os meu olhar que a invadia tentando adivinhar-lhe o destino ou a sua ausência.&lt;br /&gt;Nestes breves instantes, tentei adivinhar-lhe o nome a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;estória&lt;/span&gt;. Queria saber quem a tinha um dia amado, o que tinha imprimido a loucura no olhar, o simples desespero de um vazio não pedido em vão! Bastava-me a sensação provocada e o silêncio ensurdecedor do seu grito que, sem saber, invadia aquele café. Estava simplesmente ali, despojada de tudo e ausente num mundo inacessível, ao alcance de quem se dignasse olhar, ver…&lt;br /&gt;Por fim lá se levantou com os mesmos gestos lentos com que palmilhava os caminhos do parque buscando, na terra, a vida que o ar parecia lhe recusar. Vi-a afastar-se pelos caminhos com passos estudados, com aquela fraca figura de menina que outrora foi (sim que todos nós um dia, um momento, um simples instante, fomos crianças)&lt;br /&gt;Quem era não sei. Ficou somente a imagem daquele olhar aflito. A cidade está repleta de seres que nos oferecem assim, a sua própria humanidade.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/202283903499090749-8336292104644994908?l=dizcontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dizcontos.blogspot.com/feeds/8336292104644994908/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=202283903499090749&amp;postID=8336292104644994908' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/202283903499090749/posts/default/8336292104644994908'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/202283903499090749/posts/default/8336292104644994908'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dizcontos.blogspot.com/2008/11/desconhecida.html' title='(Des)Conhecida'/><author><name>Alberto Campos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15934087424410786231</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_VsE_Oi9bVoc/SULzuFzso0I/AAAAAAAAAQk/-ggwdfQ84Y8/S220/FirefightersPrayer.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-202283903499090749.post-1070590303600585699</id><published>2008-11-17T22:39:00.002Z</published><updated>2009-03-29T20:14:53.178+01:00</updated><title type='text'>Gostos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Gosto do lento beijar! Da metamorfose das línguas que se entrelaçam num eterno bailado, bebendo de cada um o sabor terno da paixão, o quente do desejo. Gosto, que fazer?&lt;br /&gt;Gosto do tempo que para nesses instantes em que os cheiros se misturam e os corpos se moldam e percorrem em gestos que desafiam os minutos. Os braços que se fundem no eterno bailado ao ritmo cadenciado das ondas ou ao som místico da chuva.&lt;br /&gt;Sei que sou um idealista. Hoje, poucos perdem tempo nessa loucura que é a paixão. Quase ninguém já faz loucuras por amor. Os dias correm depressa demais e somos escravos da razão que nos escraviza. Não se sabe mais reconhecer num silencio do olhar, por tempos infindos.&lt;br /&gt;Pergunto-me onde está a essência humana que nos revela nos espasmos de um corpo, não um prazer mas uma entrega, não o físico prazer mas a alma partilhada. Onde se encontra o gesto não estudado e o amor que, mais que feito é construído?&lt;br /&gt;Gosto da penumbra dos espaços em que se bebem vidas de livre escolha, presas ao universo construído e á loucura que nos prende. Onde está a ausência de distancia que os dias nos impõem? Gosto desse sabor íntimo, que fazer?&lt;br /&gt;Gosto de gostar mesmo que excluído das humanas intenções, que nos impõem a razão quando é a carne em chama viva que comanda.&lt;br /&gt;Gosto de me sentir vivo e em paixão resgatado. O amor é feito de cheiro, silêncios e sabores. Feito de loucura sem mais razão que não seja o estar ali. O amor é feito de perdão, ciúme e fusão no corpo quente do ser amado. Quem me conta um gesto? Um orgulho amortalhado? Poucos!&lt;br /&gt;Sei que sou um idealista, mas na vida, vivo apaixonado e ignoro outro modo, que não seja esse vulcão de desejo em que me entregue. Não gosto de metades, de migalhas oferecida em troca de mim. Gosto da vigília nocturna no império das paredes. Gosto da intimidade.&lt;br /&gt;Sei que sou um idealista mas gosto!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/202283903499090749-1070590303600585699?l=dizcontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dizcontos.blogspot.com/feeds/1070590303600585699/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=202283903499090749&amp;postID=1070590303600585699' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/202283903499090749/posts/default/1070590303600585699'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/202283903499090749/posts/default/1070590303600585699'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dizcontos.blogspot.com/2008/11/gostos.html' title='Gostos'/><author><name>Alberto Campos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15934087424410786231</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_VsE_Oi9bVoc/SULzuFzso0I/AAAAAAAAAQk/-ggwdfQ84Y8/S220/FirefightersPrayer.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-202283903499090749.post-4156566656622585481</id><published>2008-11-17T21:35:00.001Z</published><updated>2009-03-29T20:15:13.798+01:00</updated><title type='text'>Dia de Semana</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Luis chegou a casa naquele fim de tarde cinzento, cor do aço que lhe atravessava o peito e lhe gelava a alma e os pés (todos sabemos quão os pés podem ser o termómetro das entranhas e mistérios mais profundos). Trazia consigo o silencio de mil pensamentos que o acompanhavam no seu caminho do escritório. Já não era ele que conduzia o carro, sentia que este já conhecia os sulcos da estrada como a vidente conhece as linhas do destino nas palmas da mão. Simplesmente ia, unicamente chegava num misto de desejo e cansaço. Aquele abraço sonhado que quase sempre tardava, aquela boca de sabor a mel onde certificava todas as suas hesitações. Encontrou-a passando a ferro como quem endireita os caminhos da vida. O cão, eterno amigo e fiel leitor dos espíritos, deu-lhe as boas noites como quem lhe oferece e pede o reconhecimento da irmandade.&lt;br /&gt;Olhou-a nos olhos naquele fim de tarde pedindo um afecto, um silêncio no olhar que lhe sepultasse as duvidas. Aqueles olhos que, tantas vezes o tinham confortado e compreendido, aqueles olhos doces que sabiam mais da sua alma que ele próprio. Pediu com o silêncio oferecido somente o calor do seu corpo e a certeza da sua própria humanidade.&lt;br /&gt;Ela olho-o e sorriu como o mar que quebrava perto, nas areias da sua praia onde tantas confissões tinham sido partilhadas em momentos de fim de tarde. Nada mais requeria que aquele lar reconstruído. Faltavam-lhe, contudo, as palavras.&lt;br /&gt;Queria saber dizer-lhe o que lhe ia no peito. A paixão que lhe comandava o respirar, aquele imenso desejo de se libertar na prisão do seu corpo. Queria saber gritar o que o seu peito transbordava, mas faltava-lhe a gramática limitada no ilimitado sentimento.&lt;br /&gt;Dizem que o amor é louco e cego, mas ele sentia-se lúcido e de boa saúde. Permitia-se as loucuras que esperava mas não sabia pedir. Queria sentir-se vivo mas não bebia dos lábios a fonte santa da juventude. Sabia que sabia mas ela negava-lhe a vida em sobressalto.&lt;br /&gt;Pegou no seu leal amigo de todas as horas, deu-lhe um abraço como se fosse o ultimo da vida e partiu para o diário passeio, onde revelaria ao cão dela as palavras que por medo lhe negava, na vã esperança que ele, numa lambidela lhe revelasse.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/202283903499090749-4156566656622585481?l=dizcontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dizcontos.blogspot.com/feeds/4156566656622585481/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=202283903499090749&amp;postID=4156566656622585481' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/202283903499090749/posts/default/4156566656622585481'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/202283903499090749/posts/default/4156566656622585481'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dizcontos.blogspot.com/2008/11/dia-de-semana.html' title='Dia de Semana'/><author><name>Alberto Campos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15934087424410786231</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_VsE_Oi9bVoc/SULzuFzso0I/AAAAAAAAAQk/-ggwdfQ84Y8/S220/FirefightersPrayer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-202283903499090749.post-1903597732028683425</id><published>2008-11-11T10:38:00.003Z</published><updated>2009-03-29T20:19:26.825+01:00</updated><title type='text'>Arvore de todos os Natais</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando foi que construi aquela &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;arvore&lt;/span&gt; de Natal? Foi há tantos dias que somente tenho na mão a marca eterna daqueles ramos partilhados. Foi há tanto tempo que nada mais passa que uma memória &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;irrepetível&lt;/span&gt; e saudosa. Nada mais que um momento que se me cravou no peito como o espinho abençoado de uma rosa.&lt;br /&gt;Foi num fim de tarde de um Sábado de Dezembro, algures num tempo que era Natal no coração das cousas e não só no calendário humano.&lt;br /&gt;Como muitas vezes, subi ao sótão onde se guardavam as tralhas da vida. Aqueles entulhos a que nos apegamos inutilmente e aqueles que esperam a sua época de uso. Sempre me apaixonaram sótãos com os seus mistérios conhecidos, com as suas memórias guardadas. São como a face visível da nossa alma, dos nossos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;apegos&lt;/span&gt; humanos, o sinal empoeirado do passar dos dias. Nos sótãos podemos ser eternamente crianças e recordar esses tempos que jazem ali somente á espera de uma oportunidade de brincar connosco.&lt;br /&gt;No canto do costume ali esperava a réplica artificial na forma, mas não na intenção, de um pinheiro nórdico. Olhava-me como que sabendo que tinha chegado o seu momento anual de glorificar a casa. Talvez também adivinhando que glorificaria também as mãos que o iriam tocar, que tocaria corações naquela tarde.&lt;br /&gt;Quando entrei na sala já a musica das vozes de Viena tocava na aparelhagem como uma banda celestial dando as boas vindas ao ritual eternamente efémero que se iria concretizar, num quase silencio que somente gestos macios iriam quebrar.&lt;br /&gt;Colocada estava a árvore nua no local onde abençoaria toda a sala, toda a vida, onde iluminaria todas as ilusões como se iluminasse também todo um futuro. È sabido o efeito mágico das árvores de Natal, com os seus poderes de transformarem em fartura a pobreza dos homens, de encherem de pão o campo e de esperança a alma de quem as admira. Assim seria aquela, assim o desejei com cada molécula do meu corpo, com cada gesto com que a vestiria de luz e cor. Assim o desejei naquele Sábado de Dezembro.&lt;br /&gt;Pouco a pouco se cobriu a árvore de desejos e também de bolas e fitas de cores condizentes. Lentamente se iluminou, lentamente se cobriu de amor feito sob os seus ramos santos. Tudo feito como correspondendo a um livro de instruções não escrito mas ditado pelas mãos que a compunham, pela loucura dos beijos que a decoraram. Na aparelhagem cantavam as cândidas vozes indiferentes ao crepúsculo que caía lá fora ao ritmo que tudo se iluminava lá dentro.&lt;br /&gt;Por semanas se manteve ali a &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;árvore&lt;/span&gt; sorrindo como um novo membro da paisagem com a função de fazer das paredes um lar. Ali iluminou o dia a dia durante aquele tempo santo. Ali criou ilusões de eternidade. Ali lançou as raízes que a tornaram viva.&lt;br /&gt;Todos os dias, ao chegar a casa levantava a mão para a cumprimentar mas, sobretudo para agradecer aquela presença que significava para mim a união das mãos que a vestiram, o amor selado sob os seus ramos. Para mim significava o Natal dos homens feito deuses.&lt;br /&gt;Os dias foram passando com o seu ritmo normal e a &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;árvore&lt;/span&gt; cumprindo com zelo a sua missão de ali estar, de lembrar o momento em que eu tinha subido ao sótão das memorias e fantasias de criança, para a trazer para o convívio de todos. Lembrava o momento em que, ao som da música, tinha sido construída como quem &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;constrói&lt;/span&gt; sonhos e caminhos, bola a bola, fita a fita. Ali estava imponente na sua humildade procurando que eu aprendesse que, na vida nada mais somos que seres em bruto onde outras mãos nos vão vestindo. Ali ficou a &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;árvore&lt;/span&gt; até ao dia, dito de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;reis&lt;/span&gt;, quando, por tradição não escrita, se recolhem os escombros das festas. Nunca entendi porque não pode a &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;árvore&lt;/span&gt; permanecer o resto do ano, sobretudo se é sua função recordar. Anos depois criei o hábito de não desmanchar o presépio num misto de rebeldia e sentido de dever.&lt;br /&gt;&lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;Árvore&lt;/span&gt; foi novamente levada para o local de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;pseudo&lt;/span&gt; esquecimento onde me esperaria no ano seguinte, com os seus ramos prontos a receber novamente os afectos depositados. Olhei-a e desejei-lhe bom ano agradecendo as lições e a oportunidade que me dera de a abraçar, desejando voltar a vesti-la de sonhos e prendas e luz.&lt;br /&gt;Mas nós, homens, somos rápidos no esquecimento e fracos nas intenções. Somos lentos no compreender de cousas da metafísica dos gestos e influenciáveis pelo dia á dia e por quem povoa a vida de vazios e invejas. Somos infinitamente limitados e reduzidos a silêncios estéreis. Não mais sabemos cumprir com os desejos e promessas de tolerância. Somos rápidos a viver e a gelar corações que um dia colocamos numa &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;árvore&lt;/span&gt; de Natal.&lt;br /&gt;Não mais a vi. Nunca mais lhe pude agradecer e aprender com seus ramos a dádiva daquele abraço. Jamais voltarei a fundir o meu corpo sob a luz protectora dos seus ramos. Hoje talvez ainda esteja lá no sótão das memórias ou do esquecimento. Será talvez mais uma entre tantas. Certamente outras mãos e outros beijos a vistam longe da minha vista mas, no meu coração, descubro em cada dia, que continua armada e presente e só. Despida de cor esperando somente uma oportunidade de ver a luz do dia. A esperança que a vestiu naquele dia partiu com o vento de inverno e dia de Reis. Ficou o vazio e parte de mim iluminado pelos ramos cobertos daquela &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;Árvore&lt;/span&gt; de Natal&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/202283903499090749-1903597732028683425?l=dizcontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dizcontos.blogspot.com/feeds/1903597732028683425/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=202283903499090749&amp;postID=1903597732028683425' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/202283903499090749/posts/default/1903597732028683425'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/202283903499090749/posts/default/1903597732028683425'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dizcontos.blogspot.com/2008/11/arvore-de-todos-os-natais.html' title='Arvore de todos os Natais'/><author><name>Alberto Campos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15934087424410786231</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_VsE_Oi9bVoc/SULzuFzso0I/AAAAAAAAAQk/-ggwdfQ84Y8/S220/FirefightersPrayer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-202283903499090749.post-5932793697092056526</id><published>2008-11-06T16:24:00.003Z</published><updated>2009-03-29T20:18:17.792+01:00</updated><title type='text'>Ilha de Bruma</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Subiu as veredas verdejantes com as certezas que se têm quando o sol nos acolhe e a vida nos sorri. Não se sentia Príncipe mas tão-somente aquele a quem tinha sido pedido um sorriso e um reencontro. Subia a ladeira observando o verde e as flores e as cousas que se lhe saltavam ao entendimento. Sentia-se há muito tempo parte daquela natureza, adoptado por ela e seu devedor enquanto hóspede da ilha. Sentia as suas gentes como a continuação da lenda que invoca místicos reinos perdidos e que ele teimava em encontrar.&lt;br /&gt;O edifício ia surgindo pouco a pouco com a timidez de se impor na paisagem, como se dela não fizesse parte. Perguntou-se quantos pés tinham já subido aquele pequeno morro ignorando, pelo hábito de subir, toda a alva luz que no verde reflectia ou dele era emanada.&lt;br /&gt;A porta principal aberta convidava á entrada. Não de um plebeu mas de uma corte não decadente. À falta de melhor opção decidiu esperar por ela naquele &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;hall&lt;/span&gt; revestido de quadros que retratavam outras viagens de outros tempos, mal sabia o quão similar era a sua própria caminhada com aquelas retratadas. Também ele tinha vindo de alem mar aportando, anos antes, naquelas terras de basalto aparentemente frio, naquele chão, muitas vezes cor do sangue de quem o desbravou. Também, em seu tempo se tinha enamorado de vulcões e lagoas, também sua memória era e iria ser mais fruto daquela terra.&lt;br /&gt;Sentiu os passos dela trás de si, ou somente a tal impressão de um olhar que nos observa até a alma, á porta viu-a surgir com a luz reflectida naquele rosto de menina onde um supremo pintor tinha pintado a graça e cor daquele dia de Primavera. Era a contemporânea continuação dos quadros que admirava.&lt;br /&gt;Ela surgindo como de surpresa atirou-se por instinto num abraço sentido e, inesperado mas prontamente correspondido como se uma estranha força lhe elevasse os braços correspondendo, não por educação mas por inconsciente desejo partilhado e compreendido.&lt;br /&gt;Seguiu-se a conversa e gargalhadas compartidas como dois colegas de escola que o espaço não tinha separado. O tempo, esse passou com a velocidade inimiga dos momentos que se querem infinitos eternamente continuados.&lt;br /&gt;Tinham-se encontrado um ano anos, numa noite de chuva e, logo aí quis o destino que se perdessem por entre as brumas da ilha em paisagens fantásticas. Ele conduzia o carro sentindo os seus olhos pregados nas suas costas, o que lhe dificultava, ainda mais a condução. Jantaram entre amigos e terminaram noite dentro partilhando gargalhadas e bebendo Whisky de malte. Tinha sido lançada, sem saber a semente que germinaria naquele dia de Primavera.&lt;br /&gt;O abraço da despedida continuou o já guardado e as bocas fugiram, em vão, ao beijo desejado. A música continuava o seu ritmo acompanhando-lhe os passos na partida, talvez agora de modo mais lento e triste. No fundo sabiam as notas bem mais que ele próprio parecendo cadenciar seus passos no sentido da espera.&lt;br /&gt;Somente mais tarde descobriu que suas certezas tinham ficado algures entre as &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;Hortênsias&lt;/span&gt; do caminho e o seu futuro selado na luz de um olhar no sabor de um beijo á boca roubado.&lt;br /&gt;Somente dias mais tarde, lá do outro lado da vida e do mar, num fim de tarde da cidade grande, compreenderia a lenda que dizia que bebendo da água da montanha e dos lábios, acrescentaria, não mais deixaria de voltar. Tinha então somente uma certeza, um desejo: voltaria!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/202283903499090749-5932793697092056526?l=dizcontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dizcontos.blogspot.com/feeds/5932793697092056526/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=202283903499090749&amp;postID=5932793697092056526' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/202283903499090749/posts/default/5932793697092056526'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/202283903499090749/posts/default/5932793697092056526'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dizcontos.blogspot.com/2008/11/ilha-de-bruma.html' title='Ilha de Bruma'/><author><name>Alberto Campos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15934087424410786231</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_VsE_Oi9bVoc/SULzuFzso0I/AAAAAAAAAQk/-ggwdfQ84Y8/S220/FirefightersPrayer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-202283903499090749.post-1571919614184304758</id><published>2008-11-06T16:22:00.000Z</published><updated>2008-11-06T16:23:25.230Z</updated><title type='text'>Viagem sem Retorno</title><content type='html'>Era véspera de Natal. Tinha, Pedro, saído de junto da sua mãe rumo á aldeia. Mareavam-lhe os olhos de oceano com aquela certeza profunda que era a ultima ceia que tinha passado com ela. Queria ter-lhe dito o quanto a amava e o quanto amava o destino que o puxava para aquela noite. Queria ter-lhe partilhado que era um homem feliz e o quanto desejava fazer aquela viagem, não só, mas na sua companhia que testemunhasse o seu sorriso junto da mulher amada. Queria ver nos seus olhos, a alegria já partilhada em tempos idos.&lt;br /&gt;A noite fria e solitária abençonhava os quilómetros a percorrer no silencio daquela noite que queria santa.&lt;br /&gt;Tinha desejado que essa seria a noite em que tomaria um banho de lar e calor humano com a escolhida, mas estava só, irremediavelmente só e com a perspectiva de uma maior e eterna solidão. Nada de bom se avizinhava no futuro, para alem desse vazio que, em precisão lhe consumia a alma e lhe alimentava o pranto. Mesmo assim acelerava o carro como que fugindo do destino certo.&lt;br /&gt;Os quilómetros que o separavam do mar e o adensava planice fora, eram como a separação entre o passado e o futuro, o caminho que tinha assumido percorrer vida fora. Á medida que a estrada rolava sobre os seus pés, desfilavam também sobre a sua mente memórias que tinham construído a sua vida entre aquelas duas mulheres. Os primeiros passos de criança e os primeiros passos já adulto em busca da felicidade. Os choros contidos no seu quarto e o conforto daquele beijo de boa noite que nunca tinha faltado.&lt;br /&gt;As memórias sucediam-se ao ritmo das lágrimas e da saudade e do desejo. Saudade de quem tinha ficado para trás, desejo dos braços que o iriam acolher e que o protegeriam, não do frio da noite mas do frio da alma que gela bem mais.&lt;br /&gt;Sobre si a noite mais silenciosa do ano envolvia-o e o seu silêncio permitia ouvir os seus próprios pensamentos. Sabia que estava entre as duas mulheres que mais amara na vida, viajando na ponte que as haveria de unir e separar eternamente. No fundo, haveria sempre a certeza de partida e o desconhecido da chegada.&lt;br /&gt;Tinha partilhado com ela a certeza da partida de sua mãe e o quanto gostaria que estivesse a seu lado naquela noite. Ela tinha sido a sua âncora e seu porto nos momentos de doença. Tinha-lhe pedido num segredo do olhar que estivesse ali mas, quis o fado que tal não acontecesse. Contudo esperava-o lá no fim da planície onde o sol se levanta.&lt;br /&gt;O carro cortava a estrada daquele Alentejo duro, como se sabendo o destino programado da chegada, debaixo das estrelas e sob o frio intenso daquela noite Dezembro. Desejava o abraço do seu corpo, o olhar do seu rosto e sabor da sua pele, como bálsamos para a dor escondida.&lt;br /&gt;Chegou antes da meia-noite que é a hora de todas as passagens. Esperava-o aquele sorriso de mulher, menina, tantas vezes desejada em passados e tempos inenarráveis e ocultados. Sim, que o amor, quando real tem destas cousas ocultas.&lt;br /&gt;Na sala da casa da aldeia encontrou o som de família que já tinha esquecido. Imagens de um filme de Natal visto em criança e que lhe tinha marcado a fantasia de um dia ser também personagem. Vozes que se misturavam com o calor e o crepitar da lenha ao fundo. O cheiro a doces imiscuía-se no cheiro do fogo e trazia á atmosfera um ambiente único. Pela primeira vez, desde os longínquos tempos de infância, sentia no ar aquela atmosfera de lar que o acolhera contudo, sentia no peito a tristeza que o marcara na viagem. Sentia que em si tudo era partida.&lt;br /&gt;A noite decorreu como decorrem todas as noites de Natal com a algazarra natural da abertura dos presentes e com os risos de surpresa das crianças e gargalhadas sentidas na infância recordada dos adultos. Todos sabemos o quão tornamos a ser crianças nessa noite, o quanto desejamos ver nossa felicidade no sapatinho. Ele por seu lado tinha-a e apertava a sua mão como se da última vez se tratasse.&lt;br /&gt;Terminou a noite. O frio gelava os ossos como querendo gelar também as almas e eles rumaram a casa procurando nos braços de cada um o calor que o exterior lhe recusara. Em silêncio percorreram a desertas ruas da aldeia escutando os passos. Dentro de Pedro germinava uma felicidade inconstante e certa. Tinha tido a sua noite, viajado entre passado e presente, desejado futuro. Estava onde queria estar exactamente com quem queria se bem que sentisse em si um vazio que sabendo não queria explicar. Mas, no fundo inebriava-o aquele cheiro doce que o corpo dela emanava. E o tempo que não parava naquela noite como tantas vezes o tinha feito com as memorias do passado. Com as suas ancoras profundas.&lt;br /&gt;Entraram no quarto como se aquele estreito e gélido mundo fosse tudo o que precisavam para serem um. Como se nada mais existisse para alem daquelas portas. Amaram-se como dois corpos sedentos e espantando o frio da noite. No seu rosto, ao coberto da cobardia da noite ou do seu próprio medo, rolaram-lhe duas grosas lágrimas onde se escrevia o fim anunciado pela aurora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/202283903499090749-1571919614184304758?l=dizcontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dizcontos.blogspot.com/feeds/1571919614184304758/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=202283903499090749&amp;postID=1571919614184304758' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/202283903499090749/posts/default/1571919614184304758'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/202283903499090749/posts/default/1571919614184304758'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dizcontos.blogspot.com/2008/11/viagem-sem-retorno.html' title='Viagem sem Retorno'/><author><name>Alberto Campos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15934087424410786231</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_VsE_Oi9bVoc/SULzuFzso0I/AAAAAAAAAQk/-ggwdfQ84Y8/S220/FirefightersPrayer.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
