quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Partir sem chegar

Tinha partido de porto seguro rumo á incerteza do oceano de vagas crescidas. Sabia que o caminho ia ser duro e tortuoso mas o poente, o sagrado para onde se dirigia, era a recompensa do desejo, independente do pecado cometido. Tinha ouvido um dia que não havia pecados por amor, somente o destino, somente o ideal.
O Marinheiro tinha preparado a viagem com a cumplicidade dos Deuses, no secreto momento em que o oráculo lhe tinha avivado o entendimento na noite fria de lua cheia.
Rumava a sul impelido pelo canto da sereia de cabelos de oiro. Partira deixando para trás a mansidão que conhecia. Somente rumava sendo as mãos dela o seu norte desnorteadamente destinado.
Tinha decidido encetar a viagem sem um plano que não fosse ir beber á fonte dos Deuses, ao Lago onde, acreditava, repousava a espada que o faria vencedor das batalhas prometidas. Somente navegava ao sabor da estrada feito mar, ou vice versa.
Haveria de encontrar a sereia de cabelos de oiro absorvida nos sons do templo. Ignorava ela a presença dele naquele espaço, desconhecia a presença dele dentro dela mesma. Ele conhecia a maldição do canto encantado das sereias, contudo foi!
Ao entrar no templo, reconheceu a luz doirada da dama das águas abençoadas ela, reconheceu a sua suja humanidade de viajante de ilusões, sem mais não ter que uma mão cheia de nada para oferecer. Olho-o e sorriu admirada…
Pensou então naquele sorriso feito canto encantado e sentiu-se mergulhar nos olhos que lhe estendiam a felicidade disfarçada de ilusão.
Ao longe o leitor lia: “O amor nunca falha…”

5 comentários:

Quase nos 50 disse...

Enigmático.

Alberto Campos disse...

Para alguns sim, para outros...talvez! Obrigado

Ana disse...

As almas reconhecem-se no interior e pelo olhar
Um beijo

Alberto Campos disse...

"As almas reconhecem-se no interior e pelo olhar" Se assim tiver de ser, assim será! (o Alberto já tem mail) Beijo

direitinho disse...

Gostei de ler esta sua ....ilusão
Na vida é bom viver um pouco de ilusão.